Aqui vai o link para o filme Terráqueos.

AVISO: O filme é muito forte, então cuidado ao assistir. Eu tive pesadelos e chorei durante as partes que vi. Não consegui ver tudo.

http://www.youtube.com/view_play_list?p=DF803170E38E8EEA&search_query=terraqueos

Aqui, a primeira parte. São 9. Eu aguentei até a 4. E parei de comer carne.

Anúncios

Aí está o filme de que falei na sala. Eu sugiro devorá-lo!

PARTE 1

PARTE 2

Admito: não verei o Fantástico hoje. Aposto que mais da metade dele será sobre a tal da gripe e, de tanto estar sentado na frente da TV, ouvindo sobre ela, já começo a sentir dores nas costas. Um amigo me disse que quase assistiu a um linchamento no mercado ontem, porque um indivíduo tossiu na fila do caixa!

Aliás, ela foi rebatizada: ganhou o nome de A H1N1. Parece menos grave se não for associada a comidas. Depois da vaca louca, da gripe aviária e da gripe suína; espero alguma desgraça que venha agora dos peixes. O que não falta são notícias sobre a próxima pandemia mundial. No Jornal Nacional de ontem, as três matérias de abertura foram sobre isso. Acompanhe:

Vamos combinar que deve ser difícil fazer um programa jornalístico todos os dias. Mesmo com tantas sucursais mandando matérias, não deve haver novidade bastante para preencher tantos minutos na TV e no rádio, tantas páginas em jornais e revistas, tanto post em blog na net. Então, os editores têm que escolher, entre os tantos eventos corriqueiros do dia-a-dia, os “noticiáveis”. Todavia, tem que ser alguma coisa que interesse a todos, já que vivemos num mundo globalizado etecéteras e tal. A outra possibilidade é esticar e aumentar as novidades de verdade, como um vírus novo para o qual a humanidade não tem anticorpos.

Passando das manchetes para o raciocínio, retomo o mais prestigiado telejornal do Brasil.

Com mais de 6 bilhões de pessoas no mundo; menos de o,0000001% de infectados me parece muito pouco. Apesar de não haver anticorpos, a própria Globo já divulga que Virulência da gripe suína pode não ser tão grave quanto se pensava. Há mais notícias para quem acessar a net com objetivos além de vasculhar a vida dos outros. São elas: México estima taxa de mortalidade da gripe suína em 1,2% e Redução de novos casos de gripe suína anima o México. Ainda assim, haja repetição, haja mais do mesmo.

Febre alta, cansaço, dores musculares, tosse, fadiga, vômito e diarréia. No Brasil, é mais fácil ser dengue, não? Deve ser por isso que as campanhas contra o Aedes Aegypti meio que perderam seu viço… Há poucos dias, alguém que fosse ao médico com estes sintomas sairia com o invariável carimbo de virose.

Esta manchete me parece a mais sensacional: nas farmácias, acabaram os estoque de antigripal!!!! Não bastassem as máscaras (já vi perfis no orkut de pessoas com elas!); as pessoas estão comprando  remédio para gripe normal, já pensando na gripe suína, ops, A H1N1. As mães do mundo estão num frenesi de cuidados, medo e compras. A gripe já atingiu as salas de bate papo, os nicks de games e a Taça Libertadores da América. Há mais de 250 comunidades no Orkut sobre o assunto, e os títulos são absolutamente fantásticos! Entrei na Michael (Jackson) previu a gripe suína.

No Jornal A Tarde, o mais prestigiado daqui de Salvador, além das reproduções de matérias e das reportagens locais sobre o hit do momento, encontrei também Deslizamento de terra e queda de muro interditam entrada de uma casa em Paripe, da qual copio o seguinte trecho:

“A Codesal também registrou outras 20 ocorrências, entre elas um desabamento de imóvel em Canabrava. Um muro caiu em Campinas de Pirajá e outro em Santa Mônica. A Defesa Civil também notificou quatro deslizamento de terra em Itacaranha, Paripe, Boa Vista do Lobato e Pau Miúdo, além de seis ameaças em Sete de Abril, Praia Grande, Bom Juá, Campinas de Pirajá, Campinas de Brotas e Canabrava. Há cinco pontos de alagamentos na cidade: Campinas de Pirajá, Marechal Rondon, Canabrava, Bonfim e Cidade Nova.”

Eu me pergunto: se a gripe suína não saísse do México – país latino, subdesenvolvido, cheio de pobres – ainda que matasse milhares de pessoas; a imprensa do mundo todo daria o mesmo destaque? Um “sintoma” que não podemos deixar de lado é o fato de que, para ser suspeito de portar a gripe suína, é necessário ter estado no México, nos últimos 30 dias. Se eu entendi bem, todos os suspeitos do mundo fizeram um vôo internacional no último mês; muitos dos quais, veneno meu, deviam estar mergulhando nas belíssimas praias dos resorts de Cancun.

Gripe suína é doença de rico. A notícia é o medo dos ricos de morrerem. A morte dos pobres não interessa, não vende, não chama atenção. Assim como as possíveis vítimas dos iminentes desastres dos bairros pobres de Salvador.

A mídia escolhe suas prioridades na hora de decidir o que noticiar. Para nós, pensar não deve ser prioridade. É a nossa única escolha, a nossa vacina, a nossa salvação.

PS. Encontrei esse link no youtube, com um raciocínio parecido. Quem tiver preguiça de ler, pode ver o vídeo aqui.


Admito: ufa! Saí no sábado, à noite, a fim de pegar um cinema. Antes, a dúvida escolher entre uma sala no shopping ou uma no centro da cidade. Cabeção como penso que sou, escolhi o do centro.

Chegamos lá, mas – como não há estacionamento – todos estacionavam nas ruas mesmo. Havia guardadores, mas eu gelei de medo da possibilidade de sair do cinema, às 10 da noite, no centro da cidade, num sábado, para pegar meu carro. No shopping não tem esse problema, penso eu.

Já que não vai ser este filme, pode rolar uma comida antes. A fome com a cheteação bateram na urgência. Mc, na Graça. De novo não tinha estacionamento. Parece que a cidade toda resolver sair de casa naquele sábado, à noite. Fui para Ondina, na função de tomar uma sopa com algum ingrediente estranho. Sopa, no sábado, à noite, deve estar vazio.

E estava. Completamente. Aliás, o restaurante estava fechado, no sábado, à noite, às 2oh. Os do shopping estão abertos, pensei.

Lembrei, então, de umas amigas que faziam uma comida mexicana deliciosa num restaurantezinho fácil, fácil de achar; na rua do Meridien. Não tem como errar.

Apesar de o Meridien ser Pestana há alguns anos, eu sei que esta é a Fonte do Boi, rua pequena, sem saída, realmente fácil de achar. Parei o carro, caminhei pela rua toda, e cadê o tal do restaurante em que se vendia comida mexicana? O shopping a gente sabe onde achar, aliás, o shopping é ponto de referência: vira depois do shopping; ali, pertinho do shopping; no shopping!

Vivi um fascínio pelo shopping! Que idéia sensacional! O estacionamento é enorme e seguro! Que brilhante este lugar! Tem vários restaurantes abertos até mais tarde! Que paraíso! É muito fácil de chegar! Tem vários cinemas!

Rumei para o shopping.Pela orla, que a noite já estava danada.

Pela Magalhães Neto, percebi que tive que dar duas voltas no shopping para poder encontrar a entrada do estacionamento. Estranho. A gente sempre acha que tudo no shooping é mais fácil, né?

Definitivamente, a cidade toda estava na rua naquele sábado, à noite. Todo mundo resolveu sair. Todo mundo. Deve ser porque choveu a semana toda. O estacionamento estava lotado, tive que apelar para o duende da vaga. Ele conseguiu uma no final do estacionamento, bem longe do elevador.

Resolvi  comer um sanduíche ao lado de uma esteira rolante. Chique. Não havia mesas para sentar. Numa mesa, 7 adolescentes e um suco vermelho cujo resto já apodrecia de tão velho conversavam animadamente. Sim, o suco entendia a conversa.

Quando consegui sentar, presenciei uma cena de uns 25 adolescentes subindo na tal esteira rolante, a qual (devo revelar) descia. As outras pessoas se espremiam nos cantos e rezavam para não serem jogadas esteira rolante abaixo. Uma muçulmana passou com o pescoço, braço, pernas, cabeça todos corbertos. De amarelo. Um casal aparentemente discutia a relação. Quase na garagem do shopping. Devia ser grave.

Já perceberam que a comida demorou. Quando questionei o atraso, me responderam que já iam fazer! Lembram? Toda a cidade, da Ribeira a Itapoã, decidiu sair naquele sábado, à noite. Salvador suporta tranqüilamente, mais 8 shoppings daquele tamanho. Gente tem.

Comi (ufa! a comida tava boa… Será?). E fui escolher 1 entre os 10 filmes disponíveis. Pelo menos isso. Mas todos os filmes me pareceram horrorosos: continuações, comédias previsíveis, filmes de terror suspeitos, títulos estranhos com protagonistas decadentes, um filme nacional recomendado pelos famosos do BBB. Escolhi a indicação de Max, Fran e Pri.

Mas eu teria que ficar 2 horas inteiras rodando num shopping fechando. E eu já estava tonto o bastante. Casa! Agora! Peguei a fila do elevador e dividi aquele espaço com 3 (!) carrinhos de bebê! Uma mamãe barbeira passou o carrinho por cima de uma mulher que rosnou para a criança. Um climão.

Levei exatos 16 minutos andando no estacionamento, atrás do meu carro. Se você acha 16 minutos pouco, peça a alguém para esconder seu celular e fique 16 minutos procurando por ele. Aposto que – com 7 minutos – você já quer esmurrar a pessoa a quem você pediu para esconder seu celular.

Ah, peguei um engarrafamento enorme indo pra casa por causa de um barzinho de bacanas que toma metade da rua com os carros fazendo fila para entregar ao manobrista.

Depois o povo me pergunta por que eu me escondo.

Ou é isso ou eu tô virando um velho chato.

Admito: Ivete sabe fazer. Vamos acompanhar as notícias…

  1. Em 16/10/2008, Ivete Sangalo está grávida de seis semanas, diz jornal baiano
  2. Em seguida, num lançamento Fast & Furious
  3. Em 20/10/2008, em menos de uma semana, sob uma tormenta de especulações de diversos níveis, Cantora Ivete Sangalo sofre aborto
  4. Em apenas seis meses, o neném a história ressucita ferozmente: Ivete Sangalo deixa pistas sobre sua gravidez
  5. Com seu peculiar toque de Midas, já começam a surgir os primeiros frutos Anúncio de gravidez de Ivete Sangalo é disputado na Globo
  6. Aí, rola “o fora do ano” Toquinho anuncia sem querer que Ivete Sangalo está grávida
  7. Mas, com muita determinação e foco, Ivete persiste: Após revelar gravidez, Ivete lança música sobre maternidade

Ivete rules!

Admito: fico estourando de felicidade quando a vida revela inadvertidamente suas maravilhas. Penso que vivemos inundados de notícias, idéias, raciocínios e opiniões negativas sobre o mundo. Várias vezes já me senti afogado por um maremoto de balas perdidas, guerras, traições, corrupção, mentiras, julgamentos. Se a mídia vive das suas marolas de pessimismo, não nos negamos a navegar nelas e a espirrar negatividade para os outros.

Podem me chamar de ingênuo, mas creio que há muito fato muito bom no mundo que simplesmente escolhemos não noticiar. Penso agora que as tragédias nos permitem ocupar (nas versões para a vida que ouvimos e propagamos) lugares cômodos de vítimas injustiçadas dos assaltantes, dos exércitos, dos infiéis, dos políticos, dos falsos, dos poderosos. A audiência é garantida para os pobres coitados, tanto nas telas dos televisores quanto nas mesas de bar. Quando não nos retratamos como vítimas, muitas vezes nos colocamos como os heróis, aqueles que conseguiram (pausa para palmas da platéia) superar o tsunami de dificuldades que nos afunda.

E os vilões, quem são? Se nas hitórias todos são heróis ou vítimas; onde ficam os que promovem a guerra, dão tiros a esmo, traem, privilegiam-se, escondem e julgam? Histórias convenientes de narradores auto-indulgentes?

Vi, no Fantástico, o episódio da Susan Boyle. Corri hoje para o youtube. Mergulhei várias vezes naquela cena que – diríamos – ser “de cinema”. Saltei  de cabeça e chorei. Mas me questionei sobre o porquê daquela água que me escorria.

Saindo das primeiras gotas de reflexão – não devemos julgar uma pessoa pela aparência – penso que aquela senhora escocesa – vinda de um lugar a que ela mesma chama de vilarejo, muito distante do padrão estético de beleza espalhado pela mídia e repetido por nós, acima do peso, com um vestido fora de moda, cabelo muito curto e distante da jovialidade requerida como indispensável ao sucesso –  esta pessoa nada fez nada de extraordinário. Pensar que uma pessoa “feia” e “velha” não poderia cantar tão bem e de forma tão emocionante é absolutamente ordinário, normal, comum.

A notícia, a meu ver, está em mim mesmo (e penso que em muitos de nós): de nos vermos julgando, medindo, avaliando os outros por padrões que não são nossos; por repetimos idéias das quais dizemos discordar. Penso que todos têm seus medos em relação à adequação, à estética, à velhice e à morte. E quando a Susan Boyle abre a boca e derrama toda aquela beleza, identificamos naquela cena uma gota do néctar que tanto ansiamos e quase nunca conseguimos nem lamber na vida: o desejo de sermos aceitos amorosamente, sem julgamentos ou condições. Eu me flagrei nadando na lama do julgamento de que tanto reclamo. E você?

Entendo que isso faz muito mais parte do desejo do que da realidade; mas também tenho em mim a intuição de que, ao ver aquela cena,  nos projetamos tanto para a platéia, aplaudindo de pé a suposta aberração infernal com voz divina; assim como para o palco, sendo reconhecido e valorizado pelo que temos e somos de melhor. Inferno e céu.

Repito: eu acho que a Susan Boyle nada tem de especial. É uma pessoa como eu ou qualquer outra que leia estas ondas de divagação pretensiosa. Especial, para mim, é a oportunidade de nos flagarmos roubando, guerreando, traindo, jogando sujo, mentindo e – principalmente –  julgando. Especial é vermo-nos enquanto vilões e podermos  nos perceber mais completos: vítimas às vezes, heróis de vez enquanto e também (por que não?) vilões. E esta pode ser uma boa notícia a ser espalhada.

Admito: quero sim ganhar grana. Como não consegui colocar o ad sense (anúncios do google que geram pagamento por clique ou compra), tive que mudar o endereço da página. A partir de hoje, acessem www.jorgedias.tk, leiam os posts, comentem e – por favor (ehehhe) – cliquem nos anúncios!